Mariana Alcofoado,nascida em Beja no ano de 1640, foi uma freira portuguesa do Convento de Nossa Senhora da Conceição. Filha de uma família ilustre, aqui entrou com a idade de 11 anos, destinada a uma vida de oração, entregue a Cristo. Como acontecia a milhares de meninas não a movia um apelo divino. Era uma prática social, numa altura em que imperava o morgadio. Mariana nasceu exactamente no ano da restauração da nacionalidade -1 de Dezembro de 1640. A guerra contra Castela que se seguiu ao longo de décadas, trouxe a Portugal uma série de soldados, oficiais e mercenários. Entre estes vinha Nöel Bourton,aristocrata francês.Foi em Beja que se conheceram e logo a paixão avassaladora dominou Mariana.O escândalo depressa estalou. O francês, temendo pela vida,já que os Alcoforados eram uma família poderosa,regressou a França,embora deixasse a promessa a Mariana que regressaria a Portugal para a resgatar do convento. O que nunca aconteceu.
Esta sua ausência, sofridíssima, levou Mariana a escrever cinco cartas de amor e paixão. Redigidas possivelmente em 1667 e 1668, elas pertencem à literatura universal. Escritas em francês,há uma excelente tradução feita por Eugénio de Andrade. Mariana Alcoforado morreu em 1723, com a idade de oitenta e três anos. Da sua vida resta-nos a sua campa no convento e as suas cartas.
São elas que o Teatro do Campo Alegre e o Seiva trupe têm em cena até ao final do mês de Novembro. A não perder!!
sábado, 13 de novembro de 2010
terça-feira, 9 de novembro de 2010
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Emília Silvestre "é" Jaqueline du Pré
Está em cena no Teatro Carlos Alberto, até ao dia 24 de Outubro, a peça de Tom Kempinsky, "Dueto para Um" inspirada naquela que foi uma das mais estraordinárias e precoces viloncelistas dos tempos modernos: Jaqueline du Pré e que uma esclerose múltipla, galopante retirou da cena musical. Quem a quiser ver, é sintonizar o canal Mezzo - 150 do Meo, ou 151 da Zon, dedicado exclusivamente à música (mal) dita clássica ou séria. Aqui passam algumas gravações da violoncelista.
Falemos do espectáculo. O espaço cénico do Carlos Alberto, foi radicalmente encurtado, tornado claustrofóbico, as duas paredes laterais pintadas de branco. Ao fundo, numa aberura para a vida, uma mesma paisagem que ao longo da peça vai sofrendo as transfrmações impostas pelo correr das estações -talvez numa resposta cénica à questão básica e estruturante que o psiquiatra coloca à protagonista: "Senhora Abrahms, sabe qual é o sentido da vida?"
Na peça, um texto de escrita difícil em que o autor não cai na comiseração nem na tristeza faduncha, Stephanie Abrahms (Emília Silvestre) é consultada pelo psiquiatra Dr. Alfred Feldman (Jorge Pinto) num desejo de levantar o moral "a quem se encontra em baixo". Não há aqui tristeza faduncha porque Staphanie recusa a auscultação de qualquer inquietação anímica, que a exporiam o seu lado frágil.
São duas horas de puro e grande teatro. Cai-nos no colo de espectadores uma Emília Silvestre (como nunca a tinha visto): trágica,. devoradora, provocadora, dessimulada, excessiva, grosseira (sem medo de recorrer, já na sexta sessão terapêutica, a um jargão digno de um carroceirto). Muitíssimo bem dirigida pelo encenador Carlos Pimenta, a actriz dedobra-se em registos de voz e inflexões absolutamente notáveis, tanto mais que todo o seu desempenho está confinado a uma cadeira de rodas. Aquela que foi adorada por milhões de amantes da música e que da música vivia como um hausto animíco acaba, termina no final, o ser humano que é, despojado de todo o resto.
E por aqui me fico. Foram duas horas de prazer de alma e agradecer a toda uma equipe que levantou o espectáculo. São coisas como esta que me reconciliam com o ser humano. E "A Casa dos Segredos" que passa na TVI, uma bolha vazia, móbida e estupidificante? Sãoquase um milhão de espectadores a ver a coisa. Bom, mas isso são outras novelas, outras teatrices.
Falemos do espectáculo. O espaço cénico do Carlos Alberto, foi radicalmente encurtado, tornado claustrofóbico, as duas paredes laterais pintadas de branco. Ao fundo, numa aberura para a vida, uma mesma paisagem que ao longo da peça vai sofrendo as transfrmações impostas pelo correr das estações -talvez numa resposta cénica à questão básica e estruturante que o psiquiatra coloca à protagonista: "Senhora Abrahms, sabe qual é o sentido da vida?"
Na peça, um texto de escrita difícil em que o autor não cai na comiseração nem na tristeza faduncha, Stephanie Abrahms (Emília Silvestre) é consultada pelo psiquiatra Dr. Alfred Feldman (Jorge Pinto) num desejo de levantar o moral "a quem se encontra em baixo". Não há aqui tristeza faduncha porque Staphanie recusa a auscultação de qualquer inquietação anímica, que a exporiam o seu lado frágil.
São duas horas de puro e grande teatro. Cai-nos no colo de espectadores uma Emília Silvestre (como nunca a tinha visto): trágica,. devoradora, provocadora, dessimulada, excessiva, grosseira (sem medo de recorrer, já na sexta sessão terapêutica, a um jargão digno de um carroceirto). Muitíssimo bem dirigida pelo encenador Carlos Pimenta, a actriz dedobra-se em registos de voz e inflexões absolutamente notáveis, tanto mais que todo o seu desempenho está confinado a uma cadeira de rodas. Aquela que foi adorada por milhões de amantes da música e que da música vivia como um hausto animíco acaba, termina no final, o ser humano que é, despojado de todo o resto.
E por aqui me fico. Foram duas horas de prazer de alma e agradecer a toda uma equipe que levantou o espectáculo. São coisas como esta que me reconciliam com o ser humano. E "A Casa dos Segredos" que passa na TVI, uma bolha vazia, móbida e estupidificante? Sãoquase um milhão de espectadores a ver a coisa. Bom, mas isso são outras novelas, outras teatrices.
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