terça-feira, 9 de novembro de 2010
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Emília Silvestre "é" Jaqueline du Pré
Está em cena no Teatro Carlos Alberto, até ao dia 24 de Outubro, a peça de Tom Kempinsky, "Dueto para Um" inspirada naquela que foi uma das mais estraordinárias e precoces viloncelistas dos tempos modernos: Jaqueline du Pré e que uma esclerose múltipla, galopante retirou da cena musical. Quem a quiser ver, é sintonizar o canal Mezzo - 150 do Meo, ou 151 da Zon, dedicado exclusivamente à música (mal) dita clássica ou séria. Aqui passam algumas gravações da violoncelista.
Falemos do espectáculo. O espaço cénico do Carlos Alberto, foi radicalmente encurtado, tornado claustrofóbico, as duas paredes laterais pintadas de branco. Ao fundo, numa aberura para a vida, uma mesma paisagem que ao longo da peça vai sofrendo as transfrmações impostas pelo correr das estações -talvez numa resposta cénica à questão básica e estruturante que o psiquiatra coloca à protagonista: "Senhora Abrahms, sabe qual é o sentido da vida?"
Na peça, um texto de escrita difícil em que o autor não cai na comiseração nem na tristeza faduncha, Stephanie Abrahms (Emília Silvestre) é consultada pelo psiquiatra Dr. Alfred Feldman (Jorge Pinto) num desejo de levantar o moral "a quem se encontra em baixo". Não há aqui tristeza faduncha porque Staphanie recusa a auscultação de qualquer inquietação anímica, que a exporiam o seu lado frágil.
São duas horas de puro e grande teatro. Cai-nos no colo de espectadores uma Emília Silvestre (como nunca a tinha visto): trágica,. devoradora, provocadora, dessimulada, excessiva, grosseira (sem medo de recorrer, já na sexta sessão terapêutica, a um jargão digno de um carroceirto). Muitíssimo bem dirigida pelo encenador Carlos Pimenta, a actriz dedobra-se em registos de voz e inflexões absolutamente notáveis, tanto mais que todo o seu desempenho está confinado a uma cadeira de rodas. Aquela que foi adorada por milhões de amantes da música e que da música vivia como um hausto animíco acaba, termina no final, o ser humano que é, despojado de todo o resto.
E por aqui me fico. Foram duas horas de prazer de alma e agradecer a toda uma equipe que levantou o espectáculo. São coisas como esta que me reconciliam com o ser humano. E "A Casa dos Segredos" que passa na TVI, uma bolha vazia, móbida e estupidificante? Sãoquase um milhão de espectadores a ver a coisa. Bom, mas isso são outras novelas, outras teatrices.
Falemos do espectáculo. O espaço cénico do Carlos Alberto, foi radicalmente encurtado, tornado claustrofóbico, as duas paredes laterais pintadas de branco. Ao fundo, numa aberura para a vida, uma mesma paisagem que ao longo da peça vai sofrendo as transfrmações impostas pelo correr das estações -talvez numa resposta cénica à questão básica e estruturante que o psiquiatra coloca à protagonista: "Senhora Abrahms, sabe qual é o sentido da vida?"
Na peça, um texto de escrita difícil em que o autor não cai na comiseração nem na tristeza faduncha, Stephanie Abrahms (Emília Silvestre) é consultada pelo psiquiatra Dr. Alfred Feldman (Jorge Pinto) num desejo de levantar o moral "a quem se encontra em baixo". Não há aqui tristeza faduncha porque Staphanie recusa a auscultação de qualquer inquietação anímica, que a exporiam o seu lado frágil.
São duas horas de puro e grande teatro. Cai-nos no colo de espectadores uma Emília Silvestre (como nunca a tinha visto): trágica,. devoradora, provocadora, dessimulada, excessiva, grosseira (sem medo de recorrer, já na sexta sessão terapêutica, a um jargão digno de um carroceirto). Muitíssimo bem dirigida pelo encenador Carlos Pimenta, a actriz dedobra-se em registos de voz e inflexões absolutamente notáveis, tanto mais que todo o seu desempenho está confinado a uma cadeira de rodas. Aquela que foi adorada por milhões de amantes da música e que da música vivia como um hausto animíco acaba, termina no final, o ser humano que é, despojado de todo o resto.
E por aqui me fico. Foram duas horas de prazer de alma e agradecer a toda uma equipe que levantou o espectáculo. São coisas como esta que me reconciliam com o ser humano. E "A Casa dos Segredos" que passa na TVI, uma bolha vazia, móbida e estupidificante? Sãoquase um milhão de espectadores a ver a coisa. Bom, mas isso são outras novelas, outras teatrices.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Fala da criada do senhor Jorge Silva Melo
Adoro monólogos, o artista colocado em cima da navalha, só, sem as muletas das réplicas e das deixas. É como Marcel Marceau, na solidão de um palco vazio, vazio, vazio. Só - e aqui neste espectáculo, falo de uma contida mas muito expressiva Elsa Galvão, sempres sentadinha e modesta -o artista monologador consubstancia-se em si mesmo como o único ponto de confluência e ao mesmo tempo o único ponto de fuga.
O texto de "A Fala da Criada dos Noailles" foi uma inesprada surpresa, não tanto pela qualidade do texto, longe de mim! -mas pela ironia muito britânica de que está impregnada. Rapidamente, numa breve sinopse, direi que a criada Severine, recorda os anos loucos antes da guerra que viveu em casa do Noalles, mecenas franceses e endinheirados, que recebiam em jantares, estadias e orgias gente ligada à arte. Num discurso que avança, recua e se repete,tal como as 33 assobiadelas ou toques de campainha que monolgante refere, isto é, "O Bolero" de Ravel, fazem-se alusões a convidados immporantíssimos, referenciando-os vagamente não pelos seus nomes soantes da cultura mas apenas por alusões: Maurice Ravel é apenas monsieur,assim como Cocteau: monsieur Jean. Até Picasso, cujo nome nunca se explicita é referido perifrariamente e reiteradamente como "o espanhol pequenito e entroncado". E ainda aquele leit-motiv, inquietante, cínico e provocador:
"A arte não serve para nada. Só para gastar dinheiro"
No final, fechando-se o tempo, a telão de fundo abre-se, num quadro vivo para os fantasmas de Severine virem até nós.
O teatro, este bom teatro a que vamos assitindo nas salas do Porto não serve para nada? Pois não. Nem tem que servir. Para isso temos as novelas narcóticas e os filmes mediocres da LusoMundo e da Castello Lopes. Bom, mas isso são outras cenas, outras fitas.
O texto de "A Fala da Criada dos Noailles" foi uma inesprada surpresa, não tanto pela qualidade do texto, longe de mim! -mas pela ironia muito britânica de que está impregnada. Rapidamente, numa breve sinopse, direi que a criada Severine, recorda os anos loucos antes da guerra que viveu em casa do Noalles, mecenas franceses e endinheirados, que recebiam em jantares, estadias e orgias gente ligada à arte. Num discurso que avança, recua e se repete,tal como as 33 assobiadelas ou toques de campainha que monolgante refere, isto é, "O Bolero" de Ravel, fazem-se alusões a convidados immporantíssimos, referenciando-os vagamente não pelos seus nomes soantes da cultura mas apenas por alusões: Maurice Ravel é apenas monsieur,assim como Cocteau: monsieur Jean. Até Picasso, cujo nome nunca se explicita é referido perifrariamente e reiteradamente como "o espanhol pequenito e entroncado". E ainda aquele leit-motiv, inquietante, cínico e provocador:
"A arte não serve para nada. Só para gastar dinheiro"
No final, fechando-se o tempo, a telão de fundo abre-se, num quadro vivo para os fantasmas de Severine virem até nós.
O teatro, este bom teatro a que vamos assitindo nas salas do Porto não serve para nada? Pois não. Nem tem que servir. Para isso temos as novelas narcóticas e os filmes mediocres da LusoMundo e da Castello Lopes. Bom, mas isso são outras cenas, outras fitas.
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